“Cuidado Integral no Controle do Tabagismo” : 29/8 – Dia Nacional de Combate ao Fumo 2025


 

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, foi instituído pela Lei nº 7.488/1986 e tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. A data inaugura a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva.

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. Ele também é considerado a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos, 8 milhões de pessoas morrem no mundo devido ao uso do tabaco.

Entre 1989 e 2023, a prevalência do tabagismo no Brasil caiu de 35% para 9,3%. Entretanto, dados recentes do Ministério da Saúde apontam que de 2023 para 2024 voltou a haver um crescimento do número de fumantes, que chegou ao percentual de 11,6%. O fato acendeu um alerta para os gestores de saúde pública e uma preocupação especial com o uso de cigarros eletrônicos pelo público jovem.

Apesar do declínio da prevalência do tabagismo em adultos, a prevalência do tabagismo entre os jovens permanece estável em torno de 5% para ambos os sexos e a taxa de experimentação em torno de 19% para meninos e 17% para meninas. A maioria das pessoas que fazem uso do tabaco iniciam antes dos 18 anos, fazendo com que o tabagismo seja considerado um distúrbio hebiátrico e/ou pediátrico.

Os principais fatores de risco de início do tabagismo na infância ou adolescência são o tabagismo de familiares e colegas, bem como exposição à publicidade do tabaco na mídia impressa e mídias virtuais e nos pontos de venda em lojas, além das cenas de tabagismo nos filmes e videogames.

 

Os cigarros eletrônicos são populares, especialmente entre adolescentes, em razão do seu alto teor de nicotina, disponibilidade de sabores sem gosto de tabaco e designs discretos. A nicotina presente nos cigarros eletrônicos é uma droga altamente viciante que pode comprometer o desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes.

Muitos cigarros eletrônicos ou vapes entregam altos níveis de nicotina nos pulmões, o que aumenta o risco de dependência. No caso desses cigarros, há menos sinais que indicam a quantidade consumida, como acontece ao se contar as bitucas de cigarros fumados. Muitos aparelhos de cigarro eletrônico fornecem de 5.000 a 6.000 tragadas, o que equivale a 500 a 600 cigarros ou 25 a 30 maços de cigarro.

A venda deste produto é proibida pela Anvisa no Brasil desde 2009, mas eles podem ser usados livremente pelos adolescentes. Os jovens podem começar a usar esse tipo de cigarro com nicotina por curiosidade, diversão e se tornarem viciados nessa substância. Com o passar do tempo, como o cigarro eletrônico é mais caro, pode ocorrer a troca desse produto por tipos mais baratos como o cigarro comum.

Além dos cigarros eletrônicos, os adolescentes também podem fazer uso do narguilé. Este equipamento de origem árabe aquece o fumo com uma brasa, gerando fumaça que passa por um tubo até um leito de água. A água resfria a fumaça, que é aspirada pelo usuário. Não há ainda nenhuma legislação específica para o uso do narguilé no país.

Para o pneumologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Fernando Ferreira Pereira, o narguilé é considerado um problema de saúde pública, uma vez que as substâncias encontradas são as mesmas do tabaco. “Uma hora de inalação contínua de narguilé equivale à fumaça de 100 cigarros”.  Para Frederico Garcia, esses produtos transmitem a falsa sensação de segurança. “O que existe é um apelo por uma criação de uma demanda forçada para esses produtos, principalmente entre os jovens”, avalia.

 

Tabaco e câncer

Além da dependência, o uso de tabaco está relacionado a mais de 20 tipos de cânceres e é responsável por 25% de todas as mortes por câncer no mundo. O fumo e o uso de tabaco sem fumaça podem causar câncer de pulmão, boca, lábios, garganta (faringe e laringe) e esôfago.

Os fumantes correm um risco significativamente maior de desenvolver leucemia mieloide aguda; câncer nas cavidades nasais e paranasais; câncer colorretal, renal, hepático, de pâncreas, estômago ou ovário; e câncer do trato urinário inferior (incluindo bexiga, ureter e pélvis renal).

Alguns estudos também demonstraram uma ligação entre o tabagismo e o risco aumentado de câncer de mama, particularmente entre as mulheres que fumam muito e as que começaram a fumar antes da primeira gravidez. Também se sabe que fumar aumenta o risco de câncer do colo do útero em mulheres infectadas com o papilomavírus humano (HPV).

 

Outros malefícios

Apenas alguns cigarros por dia, o fumo ocasional ou a exposição ao fumo passivo aumenta também o risco de doenças cardíacas. Fumantes de tabaco têm até duas vezes mais risco de derrame e quatro vezes mais risco de doenças cardíacas. Além disso, há maior probabilidade de sofrer de infertilidade e disfunção erétil, aumenta o risco de desenvolver psoríase e doenças oculares como catarata e glaucoma.

Fumantes adultos têm ainda maior probabilidade de sofrer perda auditiva, desenvolver diabetes e demências como o Alzheimer. O uso de tabaco e a exposição à fumaça do tabaco durante a gravidez aumentam o risco de morte fetal e de aborto espontâneo. Crianças em idade escolar expostas aos efeitos nocivos do fumo passivo também estão sob risco de asma. Crianças com menos de 2 anos de idade expostas ao fumo passivo em casa podem ter comprometimentos na audição capazes de levar à surdez.

O uso do tabaco pode afetar também negativamente as interações e relacionamentos sociais, pois há restrições e espaços para fumantes, saídas constantes para fumar, o que pode levar ao isolamento social. Além disso, há gastos mensais com cigarros e gastos médicos. O uso do tabaco sobrecarrega também a economia global com cerca de US$ 1,4 trilhão em custos de saúde para o tratamento de doenças causadas pelo tabaco e a perda de capital humano devido a doenças e mortes atribuíveis ao tabaco.

 

Tratamento

Em meio a todas essas consequências negativas do uso do tabaco, existe tratamento para aqueles que desejam parar de fumar. No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva, individual ou em grupo e, se necessário, terapia medicamentosa.

O tratamento tem como objetivo a aprendizagem de um novo comportamento, através da promoção de mudanças nas crenças e desconstrução de vinculações comportamentais ao ato de fumar. O uso de medicamentos tem um papel bem definido no processo de cessação do tabagismo, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina, facilitando a abordagem intensiva ao tabagista.

 

Em 2025, o Dia Nacional de Combate ao Fumo tem como tema “Cuidado Integral”. Para marcar a data, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) promove um evento, com:

– apresentação sobre o tema;
– lançamento de pesquisas;
– debate com especialistas.

 

Serviço:

Evento: Cuidado integral no controle do tabagismo
Data e horário: 28 de agosto de 2025, às 9:30
Transmissão: canal do INCA no YouTube

 

Fontes:

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG)
Instituto Nacional de Câncer (INCA)

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